sexta-feira, 17 de maio de 2013

Fator de Compressibilidade para o AR (exemplo de programção naHP50g)


      Nesse post é feito uma breve revisão sobre o fator de compressibilidade. Também apresenta-se um método iterativo para obtenção de seu valor numérico em dada temperatura e pressão. Um algorítimo de exemplo em USER RPL  (HP50g-modo algébrico) é disponibilizado.

      O fator de compressão diz respeito ao desvio entre o comportamento de gases reais e ideais. O modelo de gás ideal tende a falhar em temperaturas baixas ou altas pressões, necessitando de correção.

Exemplo de desvio de comportamento em relação a gases ideais (neste caso nitrogênio)

       O fator de compressibilidade é expresso pela relação:



      Existem vários métodos para encontrar o fator de compressibilidade em determinadas condições de pressão e temperatura. O método clássico é buscar a informação em diagramas disponíveis na bibliografia especializada. Um outro método que se baseia numa modificação da equações de estado de Redlich-Kwong é apresentado. Trata-se de um método iterativo.
      O algorítimo demonstrado é proposto por Tapan Kumar Sen, publicado por Breno Tresoldi Minzon e Fábio Malavazzi Santilio. O programa original que opera em notação polonesa reversa (RPN) está disponível em http://www.hpcalc.org/details.php?id=5806.
       A abordagem proposta é iterativa, tornando interessante a utilização de computadores programáveis. O método consiste em chutar um valor inicial para “Z” e iterativamente alcançar a convergência entre as formulas a seguir:


       Onde Pr é a pressão reduzida, dada por Pr= P/Pc. Tr é a temperatura reduzida, dada por Tr=T/Tc. As constantes Pc e Tc são a pressão critica e a temperatura critica do gás. Os valores para alguns gases são apresentados na tabela abaixo.




       Como geralmente estou interessado em propriedades do ar (compressores, motores a combustão interna) o programa demonstrado está construído para tratar diretamente com esse gás. 
        Abaixo segue o exemplo em USER RPL, para ser utilizado com a calculadora em modo Algébrico.

<< HEAD(INFORM("fator de compressibilidade",{{"T:","Kelvin",0},{"P:","bar",0}},{1,0},{},{})) \-> L
  << L(1) -> T
    << L(2) -> P
      << 1|>Z ; P/37.71|>Pr ; T/132.65|>Tr ; .00001|>Ge ;
        DO .08664*Pr/(Z*Tr)|>k ; 1/(1-k)-4.9339796/Tr^1.5*(k/(1+k))|>Zrk ; Z-Zrk|>E ; Zrk|>Z ;
        UNTIL Ge>E
        END ; PURGE({'E','Ge','Zrk','k','Tr','Pr'}) ; Z
    >>
  >>
>>

O programa pode ser baixado no link: Fator de compressibilidade HP50g modo algébrico

sábado, 6 de abril de 2013

Inspiração para bicicleta de Bambu

       Tudo bem, concordo, minha lista de "coisas a fazer" (TO DO LIST),  está muito grande para um novo projeto.
      De qualquer forma estou decidido a construir um bicicleta de bambu. No momento estou realizando reflexões teóricas sobre o assunto (materiais, tensões, geometria, peças necessárias) as quais pretendo algum dia postar nesse blog.
       Por enquanto o que eu tenho para compartilhar são imagens de bicicletas para servir de inspiração para futuros construtores. 
      Antes de começar, só para esclarecer as palavras que eu uso ao me referir a algumas peças. Geralmente eu chamo de estrutura, o que nós brasileiros em geral chamamos de quadro. Não gosto muito de utilizar a palavra quadro, por que passa a idéia de algo sem compromisso estrutural, além de se confundir com aquele que a gente pendura na parede, ou algo quadrado. Também, quando eu digo "cachimbo", me refiro a peça que conecta os tubos. Outras denominações em português para "lug" as quais já ouvi são, "mangas", "olhais de montagem" e "luvas".

Cachimbos utilizados para conexões entre os tubos

           Entre as concepções de estrutura estão basicamente duas. A primeira consiste em enrolar uma fibra de reforço combinada com alguma resina, geralmente epoxi, entre os tubos. A segunda se baseia em usar cachimbos (Lugged Frame) como elos entre tubos, assim como nos primórdios das bicicletas com tubos de metal.
   Começando pela minha preferida, a bicicleta do fabricante "Calfee Design" (http://www.calfeedesign.com/). Nessa bicicleta o projeto é tradicional, sem frescuras, o que me agrada muito. A idéia transmitida pelas imagens são de uma estrutura simples, confiável. O design conciso agrada tanto o meu lado engenheiro como o meu lado designer industrial.

Bicicleta de Bambu "Calfee Design" com luvas de fibra de cânhamo

     A bike acima tem as luvas de fibra de cânhamo, o que complementa o espirito "materiais sustentáveis". Eu acho a idéia super legal e estou estudando usar um material bastante tupiniquim na minha: fibra de sisal. Outra opção é a luva de fibra de carbono.
 
 Bicicleta de Bambu "Calfee Design" com reforço nos nós em fibra de carbono

     Outra bike de bambu que vale a pena mencionar é a bicicleta conceitual de Ross Lovegroove. (http://www.rosslovegrove.com/). Essa impressiona pelo acabamento nas peças de alumínio. É realmente muito bonita, mas para min, o jeito como os tubos estão conectados não passam confiança necessária para o melhor momento numa bike, aquele quando você está descendo, pedalando, aquela ladeira enorme que tem no caminho de casa a 70 Km/h.  Além do mais, o sistema Cardan, por mais que diferenciado parece uma solução chique e complicada demais para o problema de transmitir potência a roda traseira. 





Bicicleta de bambu de Ross Lovegroove

     Uma curiosidade sobre essa bike é que ela foi feita em parceria com o designer brasileiro Flavio Deslandes (http://www.flaviodeslandes.com/). A foto da Bike de Deslandes mostra que ele teve participação fundamental no projeto de Lovegroove.

 
Bicicleta de Bambu de Flavio Deslandes

    Por fim um projeto da Blackstar (http://blackstarbikes.nl/en), um grupo de investidores Holandeses com  fabricação sediada em Gana na Africa. O material usado como reforço para a resina epoxi é o sisal, e o acabamento (não sei como eles fizeram isso) é excelente. A bike tem a concepção de uma bicicleta de passeio urbano/campo, com aspecto retro denunciado pelos faróis. Conta com vários acessórios como protetor de corrente e paralamas.  Os pneus, rodas e manoplas são de grifes como a Schwalbe e Brooks o que parece uma ideia desencontrada para um pais subdesenvolvido, ou, sua única pretensão comercial é exportação.



Bicicleta de Bambu do fabricante Blackstar